Empatia, ciência e direitos: duas mil pessoas são impactadas pelo TJMT Inclusivo
As etapas do TJMT Inclusivo:
Capacitação e Conscientização em Autismo, realizadas nos municípios de Sinop
(500km de Cuiabá) e Sorriso (397km de Cuiabá), expuseram a força da
interiorização das ações do Poder Judiciário de Mato Grosso. A iniciativa do
Tribunal de Justiça (TJMT), por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão,
em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e a Escola dos
Servidores do Poder Judiciário, levou conhecimento técnico, escuta ativa e
empatia para aproximadamente duas mil pessoas nos dois municípios através da
participação presencial e online.
Durante os encontros, realizados nos dias 24 e 25 de março, e transmitidos ao vivo pelo canal do TJMT no Youtube (@eventostjmt), educadores, profissionais da saúde, operadores do Direito, familiares e pessoas autistas mergulharam em uma extensa programação, com debates sobre diagnóstico precoce, papel da ciência, tecnologia assistiva, inclusão escolar e os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A iniciativa promoveu não só a capacitação de profissionais, mas também um espaço de escuta qualificada, empoderamento familiar, estratégias de inclusão baseadas em evidências e reflexão sobre políticas públicas. Temas como judicialização da saúde, atuação pedagógica inclusiva, protagonismo da pessoa autista e desafios enfrentados pelas famílias foram amplamente debatidos.
A desembargadora Nilza Maria
Pôssas de Carvalho, vice-presidente do TJMT e presidente da Comissão de
Acessibilidade e Inclusão, destacou a importância do acolhimento da população.
“Nos emociona ver que todos querem aprender e compreender o TEA nas mais
diversas esferas e contribuir com a inclusão. A recepção calorosa que tivemos
em Sinop e Sorriso mostra que o Judiciário está no caminho certo, que é da
escuta, do diálogo e da transformação social”, afirmou.
Para o juiz-auxiliar da
Vice-Presidência do TJMT e coordenador pedagógico da Esmagis-MT, Antônio Veloso
Peleja Júnior, o saldo é de avanços concretos. “Esses encontros mostraram que o
conhecimento transforma. A presença massiva do público, os depoimentos e os
diálogos construídos evidenciam que o Judiciário está mais próximo da sociedade
e mais preparado para garantir os direitos das pessoas com TEA”.
Escuta ativa – A partir da voz da sociedade, o TJMT Inclusivo evidenciou que a Justiça só é plena quando reconhece e acolhe todas as realidades. O evento mostrou que inclusão de verdade começa com escuta e segue com acolhimento, informação e parceria.
“É tudo novo pra mim. Descobri
há pouco tempo e estou aprendendo a lidar com tudo isso”. Assim descreveu
Rainara Sousa Silva Gama, mãe de Ioná, de 3 anos, ao falar sobre a importância
de participar do TJMT Inclusivo. Para ela, o evento representou empatia,
orientação e, acima de tudo, esperança. “Achei que era birra, mas hoje entendo
que é o jeito dela se expressar. Com esse evento, aprendi muita coisa que antes
eu não sabia”, afirmou.
A fisioterapeuta Débora Maria Raposo, que atua na Associação dos Pais e Amigos de Autistas de Sinop, destacou a importância do evento para combater o preconceito e ampliar a conscientização. “Abril é um mês de respeito ao autista. E eventos como esse ajudam a disseminar informação para que a sociedade entenda o que é o autismo e como cada pessoa com TEA pode ter inúmeras habilidades”, disse. “A gente precisa parar de colocar as crianças autistas em caixinhas”, completou. Para a fisioterapeuta, a chave da inclusão está no olhar empático e no rompimento dos estigmas.
A diretora da Associação de
Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Marcelândia, Márcia Rosalva da Silva
Alves, participou do “TJMT Inclusivo” acompanhada por uma comitiva de mais de
20 profissionais da educação e da saúde. Nem mesmo um incidente no motor da van
que transportava a equipe fez com que desistissem desse rico aprimoramento.
“Nosso município é pequeno, carente de qualificação, e hoje atendemos 90 crianças
autistas na Apae. Quando soubemos do evento, vimos uma oportunidade real de
capacitar nossa equipe, e não pensamos duas vezes”.
O município, localizado a 240 Km de Sinop, mobilizou fisioterapeuta, psicóloga, educadores físicos, pedagogos, auxiliares de sala, coordenadores e até uma acadêmica de fonoaudiologia. Tudo para garantir que o atendimento às crianças com TEA seja cada vez mais qualificado. “As palestras vieram ao encontro de tudo que estamos precisando. Foi um divisor de águas. Saímos com ideias práticas, contatos dos palestrantes, pedido de livros. A equipe ficou vidrada”.
Para Fransuellen da Silva,
gerente administrativa e estudante de psicologia, o “TJMT Inclusivo” reforçou a
vontade de aprofundar seus estudos e atuação na área. “Não é só sobre o
trabalho de um profissional. É um movimento conjunto do Judiciário, psicólogos,
professores. Todos precisamos agir”. Ao destacar o papel das crianças no futuro
da sociedade, Fransuellen fez um chamado à responsabilidade coletiva. “Nossas
crianças são nosso bem mais precioso. Se não cuidarmos delas agora, não haverá
avanço. Elas dependem de nós e nós delas. É um movimento conjunto e
valiosíssimo”, finalizou.
Magistratura em ação – Na última atividade da programação na região do Norte, magistrados(as) de todo o Estado participaram de uma sala de estudos jurídica sobre o TEA. O encontro híbrido gerou nove enunciados jurídicos para fins orientativos que seguirão para apreciação no TJMT, com a proposta de fortalecer a jurisprudência inclusiva em Mato Grosso. “É fundamental que o Judiciário decida com base na ciência, mas também com sensibilidade”, frisou o juiz Antônio Peleja.
As transmissões podem ser conferidas nos links a seguir: Sinop - https://www.youtube.com/live/25OzkYkUZU4?si=H6VuQXzkmOrWunEb e Sorriso - https://www.youtube.com/live/ZPIk59-cdvM?si=JitLlNs-CDiNbOGu .
As fotos dos dois encontros estão disponíveis no Flickr do TJMT, no link: https://www.flickr.com/photos/tjmtoficial_/albums/
Após o sucesso das edições em Sinop e Sorriso, o projeto chega a Cuiabá, na próxima sexta-feira (04 de abril), no Cenarium Rural, e em maio, a Tangará da Serra (252Km de Cuiabá), como parte da programação do Projeto Elo.
Talita Ormond
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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