Clarice Claudino palestra sobre oficial de justiça mediador e conciliador para mais de 500 pessoas
Para uma plateia composta
por mais de 500 pessoas, a desembargadora Clarice Claudino da Silva proferiu palestra
com o tema “Oficial de Justiça mediador e conciliador”, nesta sexta-feira (28
de março), último dia do V Congresso Nacional dos Oficiais de Justiça
(Conojus), sediado em Cuiabá. O painel foi dividido com o desembargador do
Tribunal de Justiça do Piauí, Manoel Dourado, e mediado pelo oficial de justiça
do TJMT, Wendel Lacerda.
Clarice Claudino fez um
breve apanhado histórico sobre a cultura da judicialização no Brasil, o que
culminou com o caminho inverso, o da busca da pacificação social por meio dos
métodos adequados de solução de conflitos, em que as partes firmam acordos
benéficos para todos. No centro desse debate, o novo papel que o oficial de
justiça pode e deve assumir para contribuir com esse movimento no Poder
Judiciário.
“Hoje o que temos é uma
cultura que já começa a ceder espaço para a autocomposicao. É muito melhor do
que há quase 30 anos, quando era muito difícil de ter essa conversa. Temos hoje
ferramentas poderosas, organizadas, para possibilitar a mediação e a
conciliação”, disse, convidando a categoria a buscar se qualificar para essa
nova função.
“O curso de mediação, como é
um curso vivencial, ele ajuda bastante a desanuviar um pouco esse peso da
atividade, a ter mais esperança, a ser um contribuidor efetivo para que as
pessoas consigam resolver por si próprios seus problemas, aqueles que não
conseguem, resolvam de outras formas que não essa judicialização exacerbada
que a gente tem hoje”, pontua a magistrada.
Em sua apresentação, Clarice
Claudino desmistificou o ditado popular de que “mais vale um mau acordo do que uma boa
briga”. “Isso é péssimo! O acordo tem que ser bom e tem que ser bom para
as duas partes. Não existe um acordo que pacifica socialmente, profundamente,
se não for nessas bases. E a mediação ensina como fazer isso. Ensina o profissional,
treina ele a encontrar as perguntas certas para conduzir as pessoas a essa
construção de uma solução que seja boa para todos. É o ganha-ganha. Se um
perder, não está a contento e são feitas, então, novas tratativas, até se
chegar a esse denominador 100% pacificador”, explica.
Conforme a desembargadora,
que foi a responsável por implantar o Núcleo
Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) no Poder
Judiciário de Mato Grosso, em 2011, afirma que o TJMT possui a estrutura
necessária para permitir que o oficial de justiça desempenhe também a função de
mediador e conciliador em suas diligências. “O Nupemec tem na sua grade
de cursos, o tempo todo está oferecendo e pode oferecer, inclusive, turmas
específicas para os oficiais”.
Em relação a essa
qualificação, o presidente do Sindicato dos
Oficiais de Justiça de Mato Grosso (Sindojus-MT), Jaime Rodrigues, lembra
que a categoria foi beneficiada, em agosto do ano passado, com o curso “Solução
de Conflitos pelo Oficial de Justiça”, oferecido pela Escola dos Servidores
do Tribunal de Justiça, e ressalta que é de interesse dos oficiais de justiça
contribuir com a pacificação social por meio das mediações e conciliações.
“Nós estamos buscando essa
qualificação para os oficiais de justiça serem mediador e conciliador. E
já conseguimos na administração da desembargadora Clarice um curso para 100
oficiais para trabalhar já como um projeto-piloto. Já falamos com o desembargador
José Lindote, que é o corregedor, para dar continuidade a isso. Isso dá
celeridade no fim de processo, porque o oficial está ali no campo, a pessoa
diz que quer pagar, que poderia pagar de tal forma. Aí o oficial localiza
o credor, e se o aceita dessa forma, ele faz uma certidão circunstanciada, leva
para o juiz, o juiz homologa, final do processo. Isso dá uma celeridade
muito grande!”, afirma.
Conforme o presidente do
Sindojus, esse cenário demonstra que, cada vez mais, o oficial de justiça é essencial
para o sistema de justiça. “Ele está ajudando e sendo facilitador na
celeridade dos processos e para findar o processo. Então essa função cada
vez vai ficando mais importante para os oficiais de justiça”, avalia.
A essencialidade do oficial
de justiça também foi abordada na palestra do desembargador do TJPÌ, Manoel
Dourado, que já foi oficial de justiça. “Era inimaginável, há 20 anos, que o
oficial pudesse ser mediador e conciliador no exercício da função dele. Hoje é
uma realidade”, disse.
O magistrado elencou as
características que o profissional precisa ter para exercer com excelência sua
atribuição, defendendo atributos como a imparcialidade, a independência, autonomia,
a confidencialidade, a empatia e a escuta ativa. “O oficial de justiça pode e
deve ser um agente pacificador. Nossa atividade tem que ser transformativa,
dignificando a função e contribuindo para um judiciário eficaz”, asseverou.
As exposições dos
desembargadores foi elogiada pelo presidente da Federação das Entidades Sindicais dos Oficiais de Justiça do
Brasil, João Batista Fernandes de Souza. “A sociedade quer uma solução
rápida e justa dos seus conflitos. E o oficial de justiça é quem está em
campo materializando a decisão judicial. é ele que está vendo a realidade,
então, é ele que sabe e sente a forma de conduzir. As partes, elas não
querem litigar. Eu tenho certeza disso pela própria experiência. Elas
querem paz. Então, a parte, muitas vezes, não se nega a pagar. Às
vezes, ela quer uma oportunidade de fazê-lo. Mas o mandado é uma letra da
lei fria. Então, cabe ao oficial de justiça conciliar isso, pacificar. A
partir do momento em que você leva essa norma e traz para dentro disso uma
conciliação, em que a parte se propõe a pagar e a outra aceita a forma
desse pagamento, nós temos uma justiça célere, ágil, justa e humana”,
comenta.
O 5º Congresso Nacional dos
Oficiais de Justiça reuniu mais de 500 participantes, entre os dias 26 e 28 de
março, em Cuiabá. No Poder Judiciário de Mato Grosso, a categoria é composta
por cerca de 350 oficiais de justiça ativos e o Sindojus-MT conta com 635
filiados. O evento foi realizado pelo Sindojus-MT e pela Fesojus-BR e contou
com apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Escola Superior da
Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).
“A parceria do Tribunal de Justiça, através da Esmagis e da diretoria geral do Tribunal, foi muito gratificante porque é um congresso a nível nacional e até internacional, porque vieram oficiais de justiça da Argentina, da França, da Bélgica. Nós conseguimos fazer esse congresso e valeu muito a pena! Todo esse apoio do Tribunal de Justiça, da Esmagis e dos próprios membros do Poder Judiciário foi muito válido para a realização desse congresso, que foi um sucesso”, avalia o presidente do Sindojus.
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Celly Silva / Foto: Lucas Figueiredo
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