Cejusc do Superendividamento promove Círculos de Paz para auxiliar na recuperação financeira
O Centro Judiciário de Solução de
Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Superendividamento realizou, na sexta-feira
(28 de março), dois Círculos de Construção de Paz virtuais, reunindo pessoas em
busca de soluções para suas dívidas. Os encontros, que abordaram o tema
organização financeira, proporcionaram um espaço de diálogo e aprendizado para
os que já são assistidos pela unidade. O Cejusc atende entre 15 e 20 pessoas
diariamente.
A dinâmica dos Círculos de
Construção de Paz, que busca promover a escuta ativa e a empatia, permitiu que
os participantes compartilhassem suas experiências e desafios, buscando
soluções conjuntas para seus problemas financeiros.
"A palavra acolhimento é
para todos. Ouvimos outras experiências e falamos sem sermos julgados",
compartilhou uma das participantes.
Apoio emocional e aprendizado financeiro
A gestora-geral do Cejusc do
Superendividamento, Ildenês Rocio Ribas Reis, afirma que o Cejusc do
Superendividamento oferece um suporte completo para auxiliar pessoas
endividadas a reorganizarem suas finanças e negociarem suas dívidas. O suporte
inclui serviços de contabilidade, assistência social e apoio psicológico.
Para otimizar o processo, a
audiência com os credores ocorre após a criação do plano de pagamento. Durante
essa etapa, o consumidor recebe acompanhamento psicológico, essencial para
tratar questões emocionais que podem ter contribuído para o endividamento. Além
disso, assistentes sociais oferecem suporte, auxiliando em necessidades básicas
como alimentação, já que a renda pode estar comprometida com as dívidas.
Círculos de Paz
Os encontros abordaram temas como
a importância do planejamento financeiro, a identificação de gastos
desnecessários e a necessidade de evitar empréstimos a longo prazo que
comprometam o salário.
"Hoje eu não faria gastos a
longo prazo que comprometessem meu salário, mas me endividei por questão de
saúde e a saída que a gente viu naquele momento foi o empréstimo", relatou
outra participante.
A maioria dos participantes
relatou não ter percebido o processo de endividamento e de ter mais da metade
do salário comprometido com o pagamento de dívidas. A falta de educação
financeira e o desconhecimento das leis que regem o superendividamento foram
apontados como fatores que contribuíram para a situação.
"A questão da educação
financeira é fundamental, deveria ser dada nos primeiros anos de vida da
criança na escola. Desconhecemos as leis que regem o quesito e entramos nessa
situação de superendividamento por desconhecimento, mas o credor conhece. É
como se entrássemos numa floresta. Então, é fundamental a educação financeira.
Mesmo que tenha controle, se você não conhece, acaba caindo numa
armadilha", compartilhou outra participante.
Aplicativos de celular e
planilhas foram mencionados como ferramentas que auxiliam na organização
financeira, já que dão acesso imediato a informações bancárias e gastos em
geral.
Esperança e fortalecimento
Ao final dos encontros, as
pessoas expressaram sentimentos de esperança, fortalecimento e gratidão pelo
apoio recebido.
"Continuo com muita
esperança. O grupo traz o apoio que precisamos. Às vezes, não entendemos a complexidade
de um grupo de comunicação. Estamos todos numa mesma situação e trocando
vivências e aprendizados, é uma forma da Justiça nos apoiar, fortalecer e
trazer um pouco mais de ciência e conhecimento. É importante buscar educação
financeira. O que vocês fazem é um apoio importante. A gente se sente acolhido
e tenho esperança de que tudo será resolvido e dias melhores virão",
compartilhou a pessoa que se vê em situação de superendividamento por emprestar
dinheiro para fazer tratamento de saúde.
"Saio dessa reunião mais
tranquilo. Entrei tranquilo, mas com o coração pesado. Agora está leve. Momento
enriquecedor", relatou um rapaz.
Atendimento Psicossocial
A equipe psicossocial do Cejusc
ajuda o público atendido a lidar com a saúde mental e faz os encaminhamentos
para acompanhamento clínico e psiquiátrico, realizado pelo Departamento de
Psicologia da Unic Pantanal, por meio de um termo de cooperação.
A coordenadora do Cejusc do
Superendividamento, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, define o superendividamento
como a "falência da pessoa física", uma situação em que o consumidor
se torna incapaz de quitar suas dívidas sem comprometer suas necessidades
básicas. Ela destaca que o superendividamento é uma condição que exige
tratamento, comparando-a a uma doença, e enfatiza a importância do
acompanhamento psicológico, uma vez que o problema financeiro, frequentemente,
afeta não apenas o indivíduo, mas também sua família e dependentes.
A psicóloga Suiane Oliveira de
Almeida, que atua no Cejusc do Superendividamento, destaca a gravidade do
impacto das dívidas na saúde mental, apontando para o desenvolvimento de
distúrbios do sono, transtornos de ansiedade, depressão e, em casos extremos,
ideias suicidas. Ela enfatiza a importância de abordar abertamente a saúde mental
em situações de endividamento, desmistificando o estigma que ainda cerca o
suicídio.
De acordo com a Fecomércio,
Cuiabá possui atualmente uma média de 176,9 mil famílias endividadas com
cheques, cartões, boletos, empréstimos e financiamentos. São 85,1% do total de
famílias na capital, sendo 46% afirmando estar pouco endividadas, 30,1% mais ou
menos endividadas e 8,9% muito endividadas. Em todo o Brasil, 76,4% das
famílias têm algum tipo de dívida. Os dados são da primeira quinzena de março.
Cejusc do Superendividamento
O Cejusc do Superendividamento
atende todo o estado de Mato Grosso e funciona dentro do Fórum de Cuiabá, de
segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. O contato pode ser feito pelo número
(65) 99342-2157 ou pelo e-mail cejusc.superendividamento@tjmt.jus.br
A unidade também disponibiliza
cadastramento virtual. O formulário pode ser acessado no Portal do TJMT
www.tjmt.jus.br, no botão “Conciliação/Mediação”, que acessa a página do Nupemec
(Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos)
https://portalnupemec.tjmt.jus.br/ Na página, basta clicar no botão “Registro de atendimento – Superendividamento – faça seu registro aqui” e preencher as
informações solicitadas.
O Cejusc atua em conformidade com a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021), que busca proteger os consumidores endividados e promover a educação financeira.
Núcleo Gestor de Justiça Restaurativa (NugJur)
É o órgão de gestão da Justiça
Restaurativa (JR) de Mato Grosso e tem como objetivo principal auxiliar os
envolvidos em algum conflito, por meio de técnicas apropriadas, a encontrarem a
solução mais adequada ao problema.
Entre as atribuições do NugJur
está a capacitação de facilitadores, que são os responsáveis pela realização
dos círculos. Participam dos cursos magistrados, servidores, advogados,
psicólogos, assistentes sociais, professores, acadêmicos, voluntários, ou seja,
pessoas que acreditam em processos colaborativos para a solução de conflitos.
O Núcleo é presidido pela
desembargadora Clarice Claudino da Silva e está sob a coordenação do juiz
auxiliar da Presidência do Tribunal, Túlio Duailibi Alves Souza.
Nupemec
O Núcleo Permanente de Métodos
Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJMT tem como principais funções planejar,
implementar e aprimorar ações para cumprir a Política Judiciária de Tratamento
Adequado de Conflitos, instalar e gerenciar os Centros Judiciários de Solução
de Conflitos e Cidadania (Cejuscs), promover a capacitação contínua de
magistrados, servidores e mediadores, e manter um cadastro atualizado de
profissionais qualificados.
Atualmente, o Nupemec-TJMT é presidido
pelo desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, com a coordenação da juíza
Helícia Vitti Lourenço e a coordenação suplente do juiz Wanderlei José dos
Reis.
Lei também:
Centro Judiciário do Superendividamento realiza círculo de paz com pessoas endividadas
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
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